Sem complacências

1947

No seguimento da purga iniciada no ano anterior (demissão de Mário de Azevedo Gomes e de Bento de Jesus Caraça), foi anunciado o afastamento de diversos oficias das forças armadas e de investigadores e docentes das universidades -sob a acusação genérica do  que o governo chama "manejos revolucionários de alguns conspiradores profissionais"...

Ultrapassadas as dificuldades sentidas pelo regime após a derrota do nazi-fascimo na II Guerra Mundial e apesar dos poderosos movimentos oposicionistas entretanto afirmados em Portugal, o regime recebeu o beneplácito da Grã-Bretanha e dos Estados Unidos da América, bem expresso no apadrinhamento da admissão do governo português na ONU. Foi assim o tempo de passar ao ataque, sem complacências.

"ainda com generosidade que a brandura dos nossos costumes impõe"

CONHEÇA OS INVESTIGADORES E DOCENTES DEMITIDOS
E APOSENTADOS COMPULSIVAMENTE (1934-1973)

Toda esta ação repressiva assentou num diploma legal de Salazar:

Decreto-Lei n.º 25 317, de 13 de maio de 1935

(Manda aposentar, reformar ou demitir os funcionários ou empregados, civis ou militares, que tenham revelado ou revelem espírito de oposição aos princípios fundamentais da Constituição Política ou não dêem garantias de cooperar na realização dos fins superiores do Estado)

Documento


 (cfr. memoriacomum.org e "A Depuração Política do Corpo Docente da Universidade Portuguesa durante o Estado Novo (1933-1974)"

 

Nota: No período da Ditadura Militar (1926-1934), desconhece-se a identidade de centenas de militares e civis demitidos e afastados, presos e deportados.